Meu processo de seleção na Apple

Li esses dias o post do Jordan Price, aquele designer que contou sua experiência de trabalhar na Apple, desde o processo de seleção, até sua demissão algum tempo depois [se não leu ainda, leia!]. Isso me lembrou da experiência que eu, também, tive com a Apple um tempo atrás e resolvi escrever.

Bom, eu também passei pelo processo de seleção da Apple (SPOILER: não fui contratada). Mas o meu caso foi bem diferente do apresentado pelo colega. Resumidamente, foram 14 (quatorze!) entrevistas por telefone, de 30 minutos cada, todas em inglês (à exceção de uma), em que eu conversava com diferentes profissionais de Cupertino. A vaga era para trabalhar no desenvolvimento do Siri para português-BR, lá na sede.


As entrevistas foram, de forma geral, bem simples, considerando a complexidade de se trabalhar com processamento de linguagem natural. Normalmente, elas seguiam o fluxo:
– fale-me sobre seu mestrado;
– fale-me sobre sua graduação;
– fale-me sobre seu trabalho;
– responda-me perguntas relacionadas ao meu ramo de atuação.

Por exemplo: [depois do papo inicial e padrão] o programador me perguntava sobre Linux, estrutura de dados, linguagens de programação… O engenheiro de linguagem natural me questionava sobre expressão regular, regras de estruturação de linguagem, diferenciais do português… O gerente, por sua vez, pedia que eu relatasse situações de pressão com as quais eu já tive que lidar. E por aí vai.

Eu conversei com diferentes níveis de profissionais, desde os mais técnicos até os de cargos mais avançados. Um deles, entretanto, me chamou a atenção. Conversei com um brasileiro que trabalhava lá, extremamente simpático, que me deu dicas sobre como é a vida por lá, sobre onde morar, sobre meios de transporte, e coisas do gênero. Revelou que o trabalho lá é realmente bastante puxado, como dizem, que há de se abdicar de muitas coisas, mas que, segundo ele, vale a pena. Super relevante o assunto, é verdade, mas absolutamente nada que avaliasse o candidato à vaga.

Ao final, meu processo foi dividido em duas “fases”. A primeira “fase” durou 3 meses, entre levas de entrevistas e períodos de espera. Depois disso, eu fiquei 8 meses completamente sem notícias, sem nenhum direcionamento sobre minha posição, sem saber se o processo estava ou não encerrado. Passado esse tempo, o recrutador retornou contato e agendou as demais entrevistas. Depois de mais 1 mês de espera, o recrutador, então, finalizou o processo, informando que a equipe decidiu não prosseguir com minha aplicação.

A impressão que ficou depois desse quase 1 ano não foi das melhores. Achei o processo meio desorganizado e repetitivo. Já havia lido sobre a demora do processo de seleção da Apple, mas esses casos incluíam entrevistas prévias por telefone e entrevistas in loco, seguindo toda uma sequência de passos evolutivos. Não foi bem isso que eu vivenciei. Além de as entrevistas terem parecido, muitas vezes, sem foco e pouco relevantes à vaga em questão, o fato de eles não fornecerem ao candidato informações sobre os procedimentos adotados e o andamento do processo pesou muito também.

Depois de concluído o contato, a sensação final foi pouco de “poxa, não deu pra mim”, e muito de “ufa, acabou”. Por motivos outros que os do Jordan, concluí que eu, também, queria MUITO trabalhar na Apple, mas agora nem tanto.

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Débora Bossois

possui graduação em Ciência da Computação pela UFES (2007) e mestrado em Computação pela UFES (2010). Atuou principalmente na área de Categorização de Documentos utilizando Processamento de Linguagem Natural. Atualmente, é sócia-proprietária e gerente de desenvolvimento na RGB Sistemas - Consultoria e Desenvolvimento de Sistemas.

2 comments

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  1. krikaoli 25 abril, 2014 at 19:05 Responder

    Parabéns! Eu curti muito o texto, é o relato mais quente do ano sobre a Siri! Pena que não está na primeira página da busca do Google, tive que peneirar muito o “Siri em Português” para encontrar esse interessantíssimo relato! Abraços!

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